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Valores e princípios: uns têm e outros desprezam sob o ponto de vista da psicanálise

Na psicanálise, valores e princípios não são vistos apenas como regras aprendidas socialmente ou normas impostas pela família, religião ou cultura.

Eles fazem parte da estrutura psíquica construída ao longo do desenvolvimento emocional do sujeito.

Algumas pessoas desenvolvem forte senso interno de ética, responsabilidade e limite. Outras funcionam predominantemente guiadas por conveniência, impulsos, necessidade de satisfação imediata ou interesses pessoais.

Isso não significa que existam pessoas “boas” e “más” de forma simplista. A psicanálise busca compreender como determinadas estruturas emocionais foram construídas e como influenciam o comportamento adulto. Valores e princípios aparecem na descoberta.

Do ponto de vista psicanalítico, ter valores e princípios envolve capacidade interna de sustentar limites mesmo quando não existe vigilância externa.

Limites internalizados e falha na construção dos limites

Durante o desenvolvimento infantil, a criança precisa aprender que não pode tudo.

Ela encontra limites através da convivência familiar, social e afetiva. Aprende que existem regras, consequências, frustrações e necessidades do outro.

Quando esse processo acontece de maneira suficientemente estruturada, a pessoa começa a construir referências internas que continuam funcionando mesmo sem supervisão externa.

Isso se transforma em princípio.

O sujeito passa a agir baseado em referências internas de ética, responsabilidade e consciência emocional.

Ele faz algo correto não apenas porque pode ser punido, mas porque internalizou determinado valor.

Quando existe falha importante nesse processo, o funcionamento psíquico pode permanecer excessivamente centrado na satisfação imediata.

O limite é percebido como incômodo, perseguição ou impedimento pessoal.

Nesses casos, surgem maiores dificuldades em aceitar frustração, responsabilidade e convivência equilibrada com outras pessoas.

O sujeito tende a validar apenas aquilo que favorece seus próprios desejos no momento.

Superego estruturado e consciência moral

Na teoria freudiana, o superego representa uma das instâncias psíquicas relacionadas à consciência moral, crítica interna e noção de certo e errado.

É através dele que surgem sentimentos como culpa, responsabilidade, arrependimento e necessidade de reparação.

Quando o superego se estrutura de forma consistente, a pessoa experimenta conflito emocional ao agir contra os próprios valores.

Ela percebe internamente a incoerência entre comportamento e princípio.

Já quando há fragilidade, distorção ou funcionamento imaturo dessa estrutura, podem aparecer mecanismos como:

pouca culpa

racionalização constante

desresponsabilização

dificuldade em reconhecer danos causados

uso emocional do outro

manipulação

transferência de culpa

Nesses casos, o sujeito frequentemente justifica atitudes prejudiciais através de explicações que preservam sua autoimagem.

Tolerância à frustração e impulsividade

Freud também descreveu o conflito constante entre:

busca de prazer imediato, capacidade de adiar gratificações, aceitação dos limites impostos pela realidade

Pessoas excessivamente guiadas pelo prazer momentâneo tendem a relativizar princípios quando esses princípios dificultam desejos do presente.

O funcionamento psíquico passa a priorizar satisfação rápida em vez de consequências futuras.

Isso pode aparecer em diferentes comportamentos: traições, mentiras recorrentes, irresponsabilidade afetiva, impulsividade financeira, rompimento constante de acordos, desrespeito a vínculos.

Já pessoas guiadas por princípios geralmente enfrentam conflitos internos antes de agir.

Existe luta psíquica entre desejo, limite, consequência e responsabilidade.

O princípio não elimina impulsos. Mas funciona como freio interno.

Empatia, narcisismo e uso emocional do outro

Em sujeitos muito centrados no próprio ego, o outro pode deixar de ser percebido como indivíduo completo.

Passa a ocupar função emocional.

O outro serve para:

validar

admirar

fornecer atenção

preencher vazio

sustentar imagem social

Quando isso predomina, valores como empatia, lealdade, compromisso e reciprocidade perdem força diante da autopreservação narcísica.

A necessidade pessoal se torna mais importante que o impacto causado no outro.

Isso ajuda a compreender por que algumas pessoas conseguem manter comportamentos incoerentes durante anos sem demonstrarem grande conflito emocional aparente.

Racionalização e mecanismos de defesa

Nem toda pessoa que despreza princípios se percebe conscientemente “sem valores”.

Muitas utilizam mecanismos de defesa psíquicos para proteger a própria autoimagem.

Entre os mais comuns estão:

racionalização
“todo mundo faz”

minimização
“não foi tão grave”

projeção
“você faria igual”

negação
“ninguém saiu machucado”

Esses mecanismos diminuem temporariamente o desconforto psíquico causado pela incoerência entre comportamento e realidade.

Repetição de modelos familiares e responsabilidade subjetiva

Valores também são transmitidos pelas experiências emocionais vividas durante a infância.

Quem cresceu observando:

coerência entre fala e ação, responsabilidade, respeito, capacidade de reparar erros, tende a internalizar essas referências com maior consistência.

Já sujeitos que cresceram em ambientes marcados por: manipulação, violência emocional, impunidade, incoerência constante, ausência de consequência, podem normalizar comportamentos destrutivos ou desrespeitosos.

Isso não elimina responsabilidade individual na vida adulta, mas ajuda a compreender padrões repetitivos de funcionamento emocional.

Valores e princípios

Na psicanálise, valores reais aparecem principalmente quando ninguém está observando.

Há pessoas que obedecem regras apenas por medo de punição externa.

Outras sustentam princípios porque construíram referências internas que fazem parte da própria identidade psíquica.

Quando falta estrutura emocional interna, a ética frequentemente dura apenas enquanto convém.

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