“valores e princípios: uns têm e outros desprezam” sob o ponto de vista da psicanálise
Na psicanálise, valores e princípios não são vistos apenas como regras aprendidas.
Algumas pessoas desenvolvem forte senso interno de ética.
Outras funcionam mais por conveniência, impulso ou interesse imediato.
Do ponto de vista psicanalítico:
Ter valores e princípios costuma envolver:
- limites internalizados/ falha na internalização de limites
Durante o desenvolvimento, a criança aprende que não pode tudo. Ela encontra limites: Quando esse processo é bem elaborado, a pessoa constrói referências internas que continuam atuando mesmo sem vigilância externa. Isso vira princípio. A pessoa faz o correto porque incorporou valor interno, não porque está sendo observada.
Ao contrario, a criança que cresceu sem conhecer limites, não tem uma referência até aonde ir, vive o momento, basta ter satisfação, ignora principios, por não conhece-los. Gera desconforto quando precisa conviver com outras pessoas. Só valida o que lhe representa.
- superego estruturado/ imaturidade emocional
Na teoria freudiana, o superego representa instância psíquica ligada à consciência moral, crítica interna e noção de certo e errado. Quando há formação consistente, o sujeito sente conflito ao agir contra seus valores.
Quando há fragilidade ou distorção nessa estrutura, pode haver: pouca culpa, racionalização constante, desresponsabilização, uso do outro como objeto.
- tolerância à frustração/ impulsividade
Freud também descreveu tensão entre: busca de prazer imediato, capacidade de adiar gratificação, aceitar limites da realidade. Pessoas guiadas principalmente pelo prazer momentâneo tendem a desprezar princípios quando eles atrapalham desejos do presente.
Pessoas guiadas por princípios, lutam em seu psiquico os limites, as consequências de prazeres momentâneos.
- empatia/ narcisismo
Em sujeitos muito centrados no próprio ego, o outro pode ser percebido menos como pessoa e mais como função: me valida, me serve, me admira, me facilita. Quando isso predomina, valores como lealdade, empatia e compromisso perdem força diante da autopreservação.
- capacidade de renúncia/ racionalização
Algumas pessoas não se percebem “sem valores”. Elas usam defesas psíquicas como: racionalização (“todo mundo faz”), minimização (“não foi nada”), projeção (“você faria igual”), negação (“não machuquei ninguém”). Isso protege a autoimagem enquanto ferem princípios.
- responsabilidade subjetiva/ repetição de modelos disfuncionais
Valores também são transmitidos por experiências.
Quem cresceu vendo: coerência entre fala e ação, responsabilidade, respeito, reparação de erros. Tende a internalizar essas referências.
Quem cresceu em ambientes de: manipulação, incoerência ou impunidade . Pode normalizar desprezo por princípios.
Valores reais aparecem quando ninguém está vendo. O resto é performance social.
Há pessoas que obedecem regras por medo de punição.
Outras sustentam princípios por identidade.
Quando falta estrutura interna, a ética costuma durar só enquanto convém.



